Crianças x Mordidas na infância


* Por Vânia Lira


Na primeira infância (do nascimento até três anos), quando os bebês iniciam a socialização com crianças de sua ou de outras idades, elas têm de aprender a lidar com a disputa de atenção de outros adultos que não são seus pais. E, quando estão no ambiente escolar começam a exteriorizar suas angustias, medos, frustrações, anseios e descobertas comuns da idade, sobretudo no que se refere ao fato de tudo ser novo para elas.

Nesta fase todos estão aprendendo a conhecer o que há ao seu redor por meio de novas e fascinantes experiências, no qual o sistema nervoso central é estimulado para elaborar o tato, o olfato, o paladar, a visão e a audição. Como consequência, as mãos, os pés, a boca e os dentes são usados como instrumentos para que isso ocorra, além de também, inconscientemente e primitivamente, serem mecanismos de defesa.

Dentro deste universo infantil, a mordida é uma das situações mais comuns que acontece no ambiente escolar e faz parte do crescimento e amadurecimento de toda criança, que inevitavelmente, em algum momento, praticará esta ação, e não por maldade, mas sim para identificar por meio da boquinha às infinitas sensações, gostos e diferenças do que a cerca. Nesta etapa, todos os bebês (em diferentes estágios) estão em processo de desenvolvimento da personalidade, que será esculpida, especialmente, a partir dos estímulos apresentados dentro do ambiente familiar e externo – seja na escola, com atividades em grupos, entre outras.

E quando a mordida acontece, no caso dentro da escola, é necessário que o pai e mãe relevem e avaliem que infelizmente isso faz parte da rotina e socialização das crianças. Da mesma forma que um bebê e crianças mordem, elas também poderão ser mordidas em alguma disputa corriqueira por um brinquedo, em atividades em grupos ou mesmo em um momento tranquilo ao qual não haja motivos aparentes para que isso aconteça.

Ainda, é importante ressaltar que nenhuma mordida é justificável, mas é interessante avaliar o porquê e como ocorreu este incidente para que o papai e a mamãe não supervalorizem a mordida como somente ato físico de desrespeito ou agressão, mas que possam entender em que contexto e como aconteceu o incidente. A mordida na escola é uma situação constrangedora para todos os envolvidos, para os pais de quem mordeu, para os pais da criança que recebeu e para os professores que infelizmente não conseguiram evitar este acidente.  

Para amenizar este desconforto, a escola, por sua vez, tem o difícil papel de mediar às relações entre as crianças e seus familiares, com o objetivo de minimizar os sentimentos negativos da situação. Para isso, atividades que delimitem regras e demonstrem a importância do respeito entre os amigos é necessária para harmonizar o ambiente. E fica como dica que as crianças, já nos primeiros meses de vida, desejam expressar seus sentimentos e, por falta de discernimento, inerente a idade, muitas vezes cometem e recebem mordidas ou gestos que correspondam à marcação de território, disputa de atenção e até mesmo para extravasar angústias e medos. 


** Vânia Lira é administradora de empresas, bacharel em direito e diretora-proprietária da rede de ensino “Bal – Colégio Branca Alves de Lima”, na região noroeste de São Paulo. Atua, também, como consultora empresarial na ACSP (Associação Comercial de São Paulo) através do projeto ‘Empreender’ e realiza palestras e cursos voltados para mantenedores e diretores de escolas particulares nas áreas de gestão empresarial, gestão financeira, marketing educacional e entre outros segmentos vinculados a área educacional. Recentemente assumiu a presidência da ANEP – Associação Nacional das Escolas Particulares, onde administra e oferece auxílio às unidades escolares do sistema privado de todas as regiões.

Matéria/Reportagem com os alunos do Bal - Rede TV News - 12/10/2011